Três músicos nascidos em 1963 propõem um programa dedicado à escuta das múltiplas frequências da criação musical brasileira.

A flautista Andrea Ernest, o pianista Paulo Braga e o percussionista Marcos Suzano fazem jus ao melhor de sua geração, transitando livremente e com desenvoltura pelos vastos domínios da música. O ritmo e a pulsação constantes da música brasileira permeiam a sonoridade deste trio.

Andrea e Paulo, com sua experiência nos palcos e estúdios da música de câmara, da música sinfônica e da música popular, embalam o legado dos grandes instrumentistas brasileiros, expressando, com virtuosismo, qualidade lírica e harmonias pesquisadas, a atualidade da música instrumental. Suzano, com sua percussão original e inquieta, plena de (re)conhecimento de suas origens africanas, recriada por procedimentos digitais, samplers, faz ressoar o cosmopolitismo dos ritmos e sons brasileiros.


APRESENTAÇÕES

2005 Estréia na série Vision du Brésil do GMEM – Centre National de Musique, Marselha, França.

2007 7o Festival Brasil Instrumental de Tatuí, SP / Série Outras Importâncias, CPFL, Campinas, SP.

2008 Projeto Phusion, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro / Casa de Francisca, São Paulo, SP.

2009 Projeto Phusion, Centro Cultural Banco do Brasil, São Paulo / Concerto de lançamento do CD Trio 3-63, Espaço Tom Jobim de Cultura e Meio Ambiente, Rio de Janeiro / PERCPAN - Panorama Percussivo Mundial, Teatro Castro Alves, Salvador, Bahia e Teatro Oi Casa Grande, Rio de Janeiro


O REPERTÓRIO

O largo espectro de compositores e músicas mostrado pelo Trio 3-63 é o resultado de uma vivência musical essencialmente brasileira, em que distintas linguagens sonoras se alinham numa via pulsante e fecunda. O grupo, ao mesmo tempo que trabalha sobre referências nacionais fortes da música popular como Tom Jobim, Joaquim Callado e Pixinguinha, está conectado com os eventos sonoros da atualidade, e aproveita a formação plural de seus integrantes para propor aos ouvintes a escuta de composições novas como, por exemplo, a peça eletroacústica de Roberto Victorio, e mostra às gerações mais novas compositores brasileiros eruditos como Guerra-Peixe e Luiz D’Anunciação. Seu repertório, aparentemente eclético, ganha amálgama pelo sincronismo estético e alto nível instrumental dos músicos, o que dá coesão e originalidade a esta audição. O público de diferentes faixas etárias tem participado, desta forma, de uma experiência auditiva que abrange a tradição musical e a nova criação brasileira.


OS MÚSICOS

Andrea Ernest

Desde o início dos anos 80, a flautista carioca Andrea Ernest é presença constante nos palcos e na discografia da MPB, da música sinfônica e de câmara. Bacharel em flauta pela Universidade de Brasília e Mestre pela UFRJ, apresentou a dissertação A Expressão da Flauta Popular Brasileira – Uma Escola de Interpretação. Flautista da Orquestra Sinfônica Nacional -UFF, integra ainda os grupos Pife Muderno, Quinteto Pixinguinha, Ouro Negro e Banda de Câmara Anacleto de Medeiros. Atuou como solista com a Orquestra Sinfônica Brasileira, Orquestra Sinfônica Nacional, Orquestra Sinfônica de Recife, e em formações diversas nas séries de música de câmara do CCBB, Bienais de Música Contemporânea Brasileira da Funarte, no Rock’n Rio 2000 e no Free Jazz em 1988, 1991, 1997 e 2001. Apresentou-se também em Portugal, França, Venezuela, Estados Unidos, Japão, Marrocos, Dinamarca e diversas capitais brasileiras. Em 1995, tocou no Concerto Comemorativo da Independência na sede da Missão Brasileira na ONU, interpretando Villa-Lobos e Lorenzo Fernandez. Estreou, com a Orquestra Opus-Rio, o Divertimento para flauta em sol e cordas, de Radamés Gnattali. Com o Quinteto Pixinguinha, foi solista do Projeto Aquarius em 2002, para um público de 20 mil pessoas. Participou de importantes títulos da discografia brasileira, como os CDs Ouro Negro – Moacir Santos (vencedor do Prêmio Caras da Música Brasileira, categoria Instrumental, 2002 – MP’B/Universal); Carlos Malta e Pife Muderno (finalista do 1º Grammy Latino/2000 – Rob Digital); Joaquim Calado, o pai dos chorões (Acari); Sempre Anacleto (Kuarup); Pixinguinha 100 anos (CCBB); Orquestra Pixinguinha (Kuarup). Sua flauta é ouvida em gravações para Caetano Veloso, Chico Buarque, Baden Powell, Guinga, Edu Lobo, Cassia Eller e Milton Nascimento, entre outros artistas da MPB. Participou de recentes lançamentos do mercado fonográfico, que incluem os DVDs Velho Amigo – Baden Powell , Ouro Negro (Petrobrás, 2005), Um sopro de Brasil (Petrobrás, 2006) e os CDs Choros e Alegria (Biscoito Fino, 2005), Jobim Jazz (Adnet Muisc, 2007) e Afrosambajazz (Biscoito Fino, 2009). Produtora musical além de instrumentista, lançou o CD Andrea Ernest Dias - flauta e Tomás Improta- piano (Biscoito Fino, 2005) e o CD Choros Amorosos (Sesc Rio, 2009). Em maio de 2009, apresentou-se em recital solo no Festival Les Musiques- Festival International des Musiques d`aujourd’hui do GMEM, em Marselha, com o qual prepara cd dedicado ao repertório contemporâneo eletroacústico com obras de compositores franceses e brasileiros.

Marcos Suzano

Nascido no Rio de Janeiro, o percussionista Marcos Suzano é um dos músicos da atualidade mais reconhecidos no Brasil e no exterior. Suas pesquisas em música eletrônica se unem a um profundo conhecimento da origem musical africana (sobretudo o candomblé) que se traduz por uma ação marcada por seu virtuosismo e sua originalidade, utilizando o sampler, manipulado com maestria, em favor de uma individualidade do som. Diretor artístico do Festival Percpan (um panorama anual da percussão mundial), faz parte de grupos importantes no Brasil e exterior, tocando, entre outros, com Gilberto Gil, Carlos Malta e Pife Muderno, Sting, Myiazawa e Joan Baez, além de liderar o seu próprio grupo Sambatown. Suas idéias de renovação da percussão brasileira, dando ênfase ao pandeiro, são transmitidas em estágios que dirige frequentemente no Brasil, na Europa (França, Itália, Dinamarca, Holanda, Bélgica), no Japão e nos Estados Unidos. Sua discografia solo inclui os álbuns Olho de Peixe (independente) Sambatown (MP,B), Flash (Trama) e Atarashii (Sambatown). Neste útimo ele mesmo executou todo o repertório de uma maneira influenciada por músicos nórdicos, de composição livre e de estruturas onde chega a criar melodias, harmonias e linhas de baixo a partir de procedimentos numéricos de transformação do som percutido. Em 2007 lançou o cd Satolep Sambatown (MP,B), em parceria com o compositor e cantor Vittor Ramil.

Paulo Braga

Formou-se no Conservatório de Tatuí, onde posteriormente passou a desenvolver atividades didáticas como professor de piano e prática de conjunto, sendo responsável, em 1990, pela criação do Departamento de Música Popular. Foi professor da UNICAMP de 1999 a 2003. É professor no Departamento de Música Popular do Centro de Estudos Musicais Tom Jobim. Juntamente com Paulo Flores é responsável pelas edições do Festival Brasil Instrumental, evento representativo da música brasileira. Atuou como solista com a Banda Sinfônica e Orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo, Royal Philarmonic Concert Orchestra, Camerata Villa Lobos, Camerata Antiqua de Curitiba , Orquestra Sinfônica e Camerata de Cordas de Tatuí. Desenvolve intenso trabalho de pesquisa sobre o piano no jazz e na MPB, e de sua fusão com a música de vanguarda. Faz parte do QuartaD (grupo de música erudita contemporânea) e do Trio Bonsai, considerado pela crítica especializada como um dos nomes de referência da música popular brasileira instrumental. Desde 1988 integra o grupo de Arrigo Barnabé, desenvolvendo uma linguagem musical baseada na música erudita de vanguarda, nos ritmos brasileiros e em elementos jazzísticos não estilísticos focalizados na improvisação. Em 2006 fez a tournée européia com a cantora Mônica Salmaso e grupo.

   
     
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